[REVIEW] ATELIER YUMIA DEIXA A PRINCIPAL MECÂNICA DA FRANQUIA EM SEGUNDO PLANO


Fui escrevendo essa review ano passado para lançar ela junto do blog, mas acabei adiando para revisitar o jogo, assim como Atelier Resleriana. Agora, Atelier Yumia marcou um ponto de virada claro na direção da série, trazendo ideias ambiciosas, mudanças estruturais e uma identidade própria. E falando em Atelier Resleriana, essa será a próxima review publicada. Assim como Yumia, Resleriana representa outro experimento importante da Gust com a franquia.

HISTÓRIA: Alquimia Proibida em um Mundo em Ruínas
Diferente do tom leve e slice of life tradicional da franquia, Yumia adota uma narrativa mais sombria e melancólica. A trama se passa em um continente onde a alquimia é tabu após a queda do Império Aladiss. A protagonista, Yumia, busca desvendar o passado de sua falecida mãe e o mistério por trás da destruição do império. Embora o enredo seja ambicioso e foque mais na jornada de aventura do que no cotidiano, ele sofre com vilões pouco desenvolvidos e um ritmo que oscila entre longos períodos de lore dump e um final impactante. É a história mais focada em salvar o mundo que a série viu em anos.


GRÁFICO E SOM: Paisagens Vastas e Trilhas Atmosféricas
O jogo é visualmente impressionante, com mapas vastos e interconectados que superam o design de Ryza 3. A direção de arte das paisagens e o design de personagens são pontos altos, embora existam quedas ocasionais de performance e texturas de baixa qualidade em certas superfícies. Por outro lado, a trilha sonora decepciona. Diferente das músicas memoráveis que marcaram outros títulos da franquia, Yumia opta por um som mais atmosférico e cinematográfico, que raramente se destaca. As faixas não são ruins, mas são esquecíveis, inclusive durante batalhas, algo incomum para a franquia. A música cumpre seu papel de fundo, mas carece de impacto emocional.

JOGABILIDADE: Exploração Vertical e Sistemas Simplificados

  • Exploração: A jogabilidade foi expandida para um estilo quase mundo aberto. A exploração é, sem dúvida, um dos pontos altos. O mundo é composto por quatro grandes áreas interligadas, repletas de segredos, pontos de coleta e verticalidade, impulsionada por mecânicas como triple jump, escaladas e wall jump. Essas habilidades tornam a locomoção divertida, ainda que frequentemente mal integradas ao design das missões. O jogo sofre com excesso de conteúdo artificial, como ícones espalhados pelo mapa, microatividades pouco recompensadoras e tarefas repetitivas inspiradas em jogos de mundo aberto ocidentais mais antigos. Além disso, a progressão é majoritariamente linear, com áreas conectadas por corredores estreitos, o que diminui a sensação de um verdadeiro mundo aberto.
  • Combate: Mais voltado para a ação, baseado em Fairy Tail 2. Mistura ataques básicos, esquivas e o sistema Advent. No entanto, o balanceamento é problemático: chefes costumam ser muito fáceis, enquanto inimigos comuns podem se tornar esponjas de HP repetitivas se o jogador não otimizar o equipamento.

  • Síntese: Seguindo a tendência de Ryza, o sistema de alquimia foi simplificado para ser mais acessível. Veteranos podem sentir falta da complexidade e do minmaxing dos títulos antigos, já que o sistema se assemelha a preencher moldes pré-definidos, perdendo a complexidade e experimentação que marcaram jogos anteriores. Há opções automáticas para facilitar o processo, o que ajuda iniciantes, mas deixa veteranos frustrados pela falta de profundidade.

PERSONAGENS: Laços em Tempos Difíceis
O elenco principal é forte, carismático e bem desenvolvido através de cenas de acampamento e episódios de interação. Yumia se destaca como uma protagonista determinada e fácil de criar empatia. A dinâmica entre o grupo parece mais conquistada devido ao tom sério do mundo. Contudo, os antagonistas são o ponto fraco: o jogo os trata como vilões imediatamente, sem dar tempo para que suas motivações sejam orgânicas ou ameaçadoras.

Pontos Positivos:

  • Mundo Vasto e Rico: A exploração é genuinamente divertida, com muitos segredos e verticalidade.
  • Protagonista Cativante: Yumia e seu grupo possuem ótimas dinâmicas e design excelente.
  • Acessibilidade: Sistemas intuitivos que facilitam a entrada de novos jogadores no gênero de nicho.

Negativos:

  • Perda de Identidade: O foco excessivo em tropes de RPG de aventura ocidental (ícones no mapa, grind excessivo) dilui o charme único de Atelier.
  • Câmera e Controles: Problemas de câmera ao nadar e controles sensíveis em menus podem atrapalhar a experiência.
  • Antagonistas Fracos: Vilões com potencial que mal aparecem ou não são explicados adequadamente.
RESUMO: É um Bom RPG, mas Não é um Grande Atelier.
Atelier Yumia é um RPG tecnicamente sólido e uma evolução corajosa para a franquia, mas que sacrifica parte de sua alma no processo. Ele brilha na exploração e na produção visual, entregando uma aventura épica que agradará fãs de Ryza e entusiastas de JRPGs modernos. Entretanto, veteranos que buscam a síntese complexa e o clima relaxante dos trilogias clássicas podem sentir que a série está se tornando apenas mais um RPG de aventura. É um passo ousado para o futuro, mas que ainda precisa de ajustes para equilibrar inovação e tradição.


NOTA FINAL: 7/10

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