[REVIEW] ANTHEM#9 É UMA GRATA SURPRESA


Anthem#9, desenvolvido pelo desenvolvedor independente koeda e publicado pela Shueisha Games, pega a base familiar do match-3 e a funde com a complexidade estratégica de um roguelite deckbuilder. Com uma estética vibrante que remete ao estilo visual de Persona, o título nos coloca no papel de agentes secretos em missões espirituais onde cada movimento exige cálculo e previsão. Se você busca um desafio que teste seu intelecto tanto quanto sua sorte com as cores, prepare-se para descobrir que, neste mundo, uma combinação perfeita pode ser a única diferença entre a vitória triunfante e uma derrota inevitável.

HISTÓRIA: Agentes Secretos em Mundos Espirituais: A premissa de Anthem#9 coloca o jogador no controle de agentes especiais de uma organização secreta homônima. Devido à natureza sigilosa de suas missões, os combates ocorrem em mundos espirituais. Embora a ideia seja interessante, a narrativa é o ponto mais fraco da experiência. O jogo oferece pouco contexto sobre as motivações dos inimigos, o passado dos agentes ou as consequências de falhar nas missões. A falta de um fio condutor narrativo faz com que o progresso pareça, por vezes, desprovido de um propósito maior além da vitória imediata.


GRÁFICO E SOM: Estilo Persona com Toque Indie: O jogo transborda estilo, sendo frequentemente comparado visualmente a Persona. A estética anime é vibrante, com cores expressivas, menus estilizados e uma interface de usuário ousada. Ver os combos de mais de 20 hits se traduzirem em animações de ataques rápidos contra os inimigos é um deleite visual. Enquanto os efeitos sonoros de batalha são afiados, a trilha sonora tende a ser genérica e esquecível, servindo apenas como pano de fundo. As vozes esparsas em japonês durante os combates adicionam charme, mas podem se tornar repetitivas após longas sessões de jogo.



JOGABILIDADE: O Puzzle que Exige Intelecto: A jogabilidade é o coração pulsante de Anthem#9. Esqueça a simplicidade de Candy Crush; aqui, cada movimento deve ser planejado:

  • Mecânica de Combate: Você deve combinar gemas coloridas no tabuleiro para ativar ataques e habilidades equipadas em seu deck. É possível cancelar movimentos dos oponentes e até alterar a ordem das ações deles para sobreviver a ataques fatais.

  • Os Três Agentes:

    • Rubit: Focada em adaptabilidade e veneno, pode mudar a cor das gemas gastando Pontos de Ação (AP).

    • Phannie: O apostador que usa armas de fogo e pode dividir gemas duplas para criar sequências explosivas de alto risco e recompensa.

    • Beni: Uma lutadora de artes marciais que foca em força bruta, buffs defensivos e curas, ideal para lutas de longa duração.

  • Estrutura Roguelite: O mapa segue o estilo de Slay the Spire, onde você escolhe caminhos, compra melhorias em lojas e adquire Bênçãos que alteram radicalmente o potencial de suas habilidades.

Pontos Positivos:

  • Estratégia Profunda: O sistema de combos e a manipulação das ações do inimigo criam momentos táticos altamente recompensadores.
  • Estética Impecável: Um visual anime de alta qualidade que se destaca entre os indies.
  • Fator Replay: As diferenças marcantes entre os três agentes e as mecânicas únicas de cada missão incentivam várias jogadas.

Pontos Negativos:

  • Narrativa Inexistente: A falta de história e desenvolvimento de personagens deixa o mundo do jogo vazio.
  • Curva de Aprendizado: A camada de mecânicas pode ser opaca e intimidadora para jogadores casuais no início.
  • Interface Poluída: Em certos momentos, o excesso de informações visuais pode esconder dados cruciais para o jogador.
RESUMO:
Anthem#9 é uma fusão audaciosa de match-3 com Slay the Spire. Ele desafia o jogador a pensar de forma deliberada e estratégica, recompensando a inteligência com combos visualmente satisfatórios e um estilo artístico de primeira linha. Embora a ausência de uma história envolvente e a trilha sonora genérica o impeçam de atingir a perfeição, é uma recomendação obrigatória para fãs de roguelites e puzzles que buscam algo que desafie o cérebro tanto quanto os reflexos.


NOTA FINAL: 8/10

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