[REVIEW] MENHERARIUM É UM ROGUELIKE DE ROMANCE TÓXICO E SANGRENTO


Em Menherarium, a aposta subiu de patamar: agora você joga pela própria vida, algemado em um quarto colorido enquanto uma garota anime instável decide se quer o seu amor ou o seu sangue. Seguindo a onda de sucessos como Balatro, este título mistura a sorte pura dos dados com mecânicas roguelite e uma narrativa de romance tóxico que é tão absurda quanto viciante. Coloque seus óculos escuros e pegue seu amuleto da sorte, porque nesta mesa, a casa sempre ganha,a menos que você esteja disposto a quebrar as regras (e os dados) para sobreviver.

HISTÓRIA: Entre Algemas e Afeto: A premissa é direta e perturbadora: você acorda dopado e algemado no quarto de Chinchiro, uma garota menhera (termo japonês para alguém com saúde mental instável e comportamento obsessivo) que se alimenta do seu sangue enquanto te força a jogar dados. O enredo se desenrola ao longo de sete dias, com cenas narrativas que surgem entre as rodadas. Suas escolhas de diálogo são cruciais e imprevisíveis; ser gentil pode acalmá-la ou enfurecê-la, refletindo sua personalidade errática. Embora não seja uma narrativa profunda, o mistério sobre a situação e a construção da personagem mantêm o interesse por trás do clima de absurdo.

GRÁFICO E SOM: Estilo Anime e ASMR Problemático: O jogo aposta em uma estética de anime vibrante e colorida que contrasta com o tom sombrio da situação. Chinchiro é expressiva, embora tenha apenas um visual básico. Infelizmente, a interface sofre com textos em inglês que saem da tela em alguns momentos. A dublagem é um dos pontos altos, capturando bem a instabilidade da vilã. Contudo, há problemas de mixagem: a trilha sonora muitas vezes abafa as falas, e a ausência de dublagem em todos os textos tira um pouco do potencial ASMR que a ambientação de cativeiro poderia oferecer.


JOGABILIDADE: Chinchiro Roguelike: O núcleo do jogo é o Chinchiro, onde você joga três dados buscando combinações:
  • Sistema de Dados: O objetivo é conseguir um par, transformando o terceiro dado na sua pontuação. Sequências como 4-5-6 garantem vitória automática, enquanto 1-2-3 resultam em derrota. Você tem 5 rerolagens para tentar salvar a rodada.

  • Progressão e Itens: Você usa moedas para comprar amuletos, talismãs e novos rostos para seus dados (podendo criar um dado com 6 em todos os lados). Essa camada roguelite permite criar builds absurdamente poderosas que geram multiplicadores de pontuação satisfatórios.

  • Gimmicks: A cada rodada, você deve escolher um veneno modificadores que dificultam o jogo, como tornar dados invisíveis ou aumentar drasticamente a vida de Chinchiro.


Pontos Positivos:
  • Loop Viciante: A mecânica de dados é simples de aprender e gera aquele desejo de "só mais uma rodada" típico de bons jogos de aposta.
  • Atmosfera Única: Consegue misturar humor absurdo com um clima desconfortável de forma autêntica.
  • Builds Quebradas: Ver seus multiplicadores explodirem após uma boa estratégia de itens é extremamente recompensador.

Pontos Negativos:

  • RNG Impiedoso: Como em qualquer jogo de dados, a sorte pode te destruir completamente, independentemente da sua estratégia.
  • Bugs e Falta de Polimento: Sistemas que travam, erros de leitura nos dados e menus que não respondem bem são problemas recorrentes.
  • Diálogos Confusos: A imprevisibilidade da reação de Chinchiro pode frustrar quem está tentando alcançar um dos múltiplos finais específicos.
RESUMO:
Menherarium é uma experiência caótica e memorável. É um jogo que sabe que é absurdo e abraça isso totalmente. Embora sofra com problemas técnicos, falta de equilíbrio e uma aleatoriedade que pode ser brutal, ele entrega um loop de jogabilidade que te prende, talvez não tão forte quanto as algemas da Chinchiro, mas o suficiente para te manter otimizando dados por horas. Se você gosta de jogos de azar com uma estética de romance tóxico e não se importa com um pouco de frustração técnica, vale a pena a aposta. Apenas um conselho: não aceite as calcinhas dela. Confie em mim.


NOTA FINAL: 6,5/10

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