[REVIEW] DRAGON QUEST VII REIMAGINED É UMA VERDADEIRA REIMAGINAÇÃO


Com o lançamento de Dragon Quest VII Reimagined, a Square Enix entrega uma proposta divisiva, mas fascinante. Ao trocar os sprites clássicos por um mundo de dioramas, e ao realizar cortes em ilhas e conteúdos para acelerar o passo, o título tenta transformar um épico de cem horas em uma aventura mais ágil e acessível. Entre a polêmica dos cortes e o brilho de um sistema de combate refinado, esta reimaginação nos convida a redescobrir que, às vezes, para salvar o mundo, é preciso reconstruí-lo peça por peça, mesmo que algumas peças fiquem pelo caminho.

HISTÓRIA: O Puzzle do Mundo Esquecido: A trama acompanha um jovem da Ilha de Estard, um lugar onde os habitantes acreditam ser o único pedaço de terra em todo o oceano. Ao lado do príncipe Kiefer e da impetuosa Maribel, o protagonista descobre tablitas de pedra que, ao serem montadas, transportam o grupo para o passado de ilhas que foram apagadas da existência.

O jogo mantém sua estrutura de pequenos contos, onde cada ilha visitada apresenta um conflito isolado e humano, de maldições que transformam pessoas em animais a dilemas morais sombrios. Embora o Reimagined tenha cortado três ilhas do original e tornado outras quatro opcionais para acelerar o ritmo (reduzindo as 100 horas originais para cerca de 55), o espírito de ajudar o próximo e a melancolia característica da obra de Yuji Horii permanecem intactos.

GRÁFICO E SOM: O Encanto do Diorama: A maior mudança é o estilo visual. O jogo utiliza cenários que parecem dioramas reais e modelos de personagens que lembram bonecos artesanais em um livro pop-up. É uma escolha artística vibrante que, embora suavize um pouco o tom sombrio do original, é tecnicamente impecável e destaca o design de monstros de Akira Toriyama. A trilha sonora utiliza as gravações da Tokyo Symphonic Suite, elevando as composições de Sugiyama a um novo patamar de imponência. A dublagem segue o padrão de excelência da série, com sotaques regionais britânicos que dão muita personalidade a cada vilarejo.

JOGABILIDADE: A Evolução das Vocações: O combate em turnos recebeu atualizações que o tornam, possivelmente, o melhor da série:
  • Moonlighting: Agora é possível equipar uma vocação secundária, permitindo combinar habilidades de, por exemplo, um Pirata e um Dançarino, facilitando o progresso sem se sentir vulnerável ao trocar de classe.

  • Let Loose: Cada vocação possui uma habilidade especial Let Loose, que funciona de forma similar ao Pep-Up de DQXI, permitindo viradas estratégicas em batalhas difíceis.

  • Exploração Fluida: A introdução de marcadores de objetivo, um feitiço Zoom gratuito e a capacidade de eliminar inimigos fracos no mapa sem entrar na tela de batalha agilizam muito a experiência. No entanto, o excesso de ajuda (como tesouros marcados no mapa) não pode ser desativado, o que pode incomodar os puristas.


Pontos Positivos:
  • Ritmo Refinado: A redução do backtracking e a aceleração da história tornam o jogo muito mais acessível para quem achava o original arrastado.
  • Sistema de Combate Profundo: A combinação de vocações e as novas habilidades dão uma camada tática inédita ao título.
  • Visual Único: O estilo de diorama é charmoso e ajuda a esconder as limitações técnicas, criando uma identidade própria.

Pontos Negativos:

  • Conteúdo Cortado: Fãs ardorosos sentirão falta das ilhas e minijogos (como o cassino) que foram removidos ou tornados opcionais.
  • Facilidade Excessiva: Mesmo nas dificuldades mais altas, o jogo pode se tornar simples demais para quem já conhece as melhores combinações de classes.
  • Assistência Invasiva: A impossibilidade de desligar as setas de guia e dicas do Party Chat tira um pouco da sensação de descoberta.
RESUMO
Dragon Quest VII Reimagined é a versão definitiva para quem quer conhecer este clássico sem se perder em centenas de horas de repetição. Ele transforma um slow burn punitivo em uma aventura de fantasia vibrante e moderna. Embora os cortes de conteúdo possam gerar polêmica entre os veteranos, as melhorias no sistema de vocações e a apresentação visual estonteante consolidam este título como um dos picos da franquia. É um jogo sobre pequenas ações que salvam mundos, agora mais bonito e ágil do que nunca.

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