[REVIEW] RESIDENT EVIL REQUIEM MOSTRA TUDO QUE A CAPCOM APRENDEU DESDE O RE7 E OS REMAKES


Lançado para celebrar os três decênios da saga, o nono capítulo principal não apenas olha para o futuro, mas abraça com confiança todo o legado que o trouxe até aqui. Ao dividir a jornada entre a vulnerabilidade aterrorizante da novata Grace Ashcroft e a competência explosiva do veterano Leon S. Kennedy,
Requiem faz o que parecia impossível: une o horror claustrofóbico da era clássica com a ação cinematográfica moderna sem perder sua identidade. É uma celebração visceral que prova que, após 30 anos, a série não está apenas sobrevivendo ao seu próprio mito, mas refinando-o em um pesadelo tecnicamente impecável.

HISTÓRIA: O Acerto de Contas com o Passado: A trama se divide entre dois protagonistas com bagagens opostas. Grace Ashcroft, uma analista do FBI e filha de Alyssa Ashcroft (RE: Outbreak), investiga assassinatos no Wrenwood Hotel, local onde sua mãe foi morta há oito anos. Paralelamente, o veterano Leon S. Kennedy persegue o cientista Victor Gideon, ligado aos eventos de Raccoon City.

O enredo é o motor da experiência, fundamentado em um ritmo excelente de revelações. A narrativa explora o projeto misterioso Elpis e entrega uma reviravolta final impactante sobre a conexão de Grace com os experimentos. Embora os vilões não sejam os mais memoráveis da saga, a química entre os protagonistas e o peso emocional carregado por Grace elevam o texto, oferecendo um fan service respeitoso que preenche lacunas de trinta anos de história.

GRÁFICO E SOM: O Ápice da RE Engine: Visualmente, este é possivelmente o melhor jogo da série. Os ambientes são densos, interativos e grotescos. O design de criaturas atinge um novo patamar de nojo, com zumbis realistas e mutações que são verdadeiros materiais de pesadelo. A sonoplastia é impecável, mantendo a tensão constante de que algo está sempre observando o jogador. O elenco de voz brilha, com Stephany Custodi entregando uma Grace vulnerável e determinada, enquanto Felipe Grinnan mantém o equilíbrio perfeito entre a competência e as frases de efeito clássicas de Leon.

JOGABILIDADE: Dualidade de Estilos: O jogo não permite escolher livremente o personagem; a história dita quem você controla, criando um contraste proposital:
  • Grace (Horror de Sobrevivência): Suas seções são lentas e deliberadas. Jogar em primeira pessoa acentua a vulnerabilidade. Aqui, o foco é a gestão de recursos, contagem de balas e o uso de itens de cura escassos. Ela coleta tecidos cerebrais para fabricar suprimentos, em um sistema de crafting intuitivo.

  • Leon (Ação-Horror): Quando Leon assume, o jogo se torna uma fantasia de poder. Ele utiliza finalizações físicas, armas pesadas e pode até aparar ataques com um machado (que precisa ser amolado). Suas seções são rápidas, focadas no controle de multidões e upgrades de armas baseados em moeda.

  • Dinâmica de Mapa: Um detalhe brilhante é a exploração compartilhada da área inicial. Leon pode limpar uma sala infestada para facilitar a vida de Grace quando ela precisar passar por ali para buscar um item chave.


Pontos Positivos:
  • Contraste de Gameplay: A alternância entre o terror paralisante de Grace e a catarse explosiva de Leon evita que o jogo se torne monótono.
  • Replay Value: Áreas que mudam dependendo do personagem e cenas opcionais recompensam quem explora cada canto.
  • Modo Clássico: A opção de usar Ink Ribbons (fitas de tinta) para salvar retorna, satisfazendo os fãs puristas.

Pontos Negativos:

  • Mecânicas Descartáveis: Algumas ideias, como a coleta de moedas de Grace na primeira área, desaparecem sem explicação no restante do jogo.
  • Inconsistência no Desafio: O auto-save nas partes do Leon (mesmo no modo clássico) reduz a tensão que as seções da Grace constroem tão bem.
RESUMO
Resident Evil Requiem é a celebração definitiva de uma década de sucessos da Capcom. Ele não tenta reinventar a roda, mas refina tudo o que a franquia aprendeu desde o RE7 e os remakes. É um Resident Evil definitivo que entende que a série precisa de ambos: o medo do escuro e a satisfação de descarregar uma escopeta. Com cerca de 16 horas para ver tudo em dois playthroughs, é um título obrigatório que prova que, aos 30 anos, a franquia está mais viva (e assustadora) do que nunca.

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