[REVIEW] 100 DIAS EM THE HUNDRED LINE: LAST DEFENSE ACADEMY

Raramente vemos um estúdio colocar toda a sua existência em xeque por uma única obra, mas é exatamente onde a TooKyo Games se encontrava com The Hundred Line: Last Defense Academy. Nascido do desejo de fundir o desespero de Danganronpa com as tramas alucinantes de Zero Escape, este projeto não é apenas um jogo, mas uma aposta de tudo ou nada que quase levou a equipe à falência. Lançado em 2025, o título nos confina em uma academia militar onde 15 estudantes têm 100 dias para proteger o que restou da humanidade contra invasores bizarros. Com uma estrutura narrativa colossal que promete, e entrega, mais de 100 finais diferentes, o jogo desafia gêneros ao misturar RPG tático, simulação de vida e um enredo que parece determinado a explodir a cabeça do jogador a cada nova rota.

HISTÓRIA: 100 Dias e 100 Finais

A trama acompanha Takumi Sumino, um estudante comum cuja vida é virada do avesso quando invasores fofos, mas letais, atacam sua cidade protegida por uma cúpula. Após um pacto sangrento com a criatura fantasmagórica Sirei, Takumi e outros 14 estudantes são confinados na Last Defense Academy. A missão? Defender a humanidade por 100 dias.

O enredo é uma teia complexa de mistérios que remete ao estilo de Fate/Stay Night e Virtue’s Last Reward. Com uma estrutura de roteiro que exige mais de 130 horas para ser totalmente explorada, o jogo oferece impressionantes 101 finais. As rotas se entrelaçam, revelando informações cruciais que só fazem sentido após múltiplas jogadas, passando por gêneros que vão do terror ao romance com o humor mórbido característico de Kodaka.

GRÁFICO E SOM: Estética Punk

Rui Komatsuzaki brilha novamente no design de personagens, criando figuras ecléticas que saltam da tela. O jogo mistura o estilo clássico de recortes de papel 2D nas cenas escolares com modelos 3D detalhados durante as batalhas e na exploração do protagonista. A galeria conta com mais de 560 ilustrações, provando o esforço monumental da equipe de arte. 


Masafumi Takada entrega uma trilha sonora techno-distópica agressiva e contagiante. No entanto, o jogo faz uma escolha técnica divisiva: em vez de frases curtas para pontuar o texto, os personagens emitem grunhidos e interjeições de anime constantes. Para leitores rápidos, esse vômito sonoro de ruídos pode se tornar irritante após dezenas de horas de jogo.


JOGABILIDADE
A experiência é dividida em três pilares principais:

1. Simulação de Vida: Durante o tempo livre, você interage com colegas, dá presentes e aumenta atributos através de um sistema de boletim escolar, essencial para fortalecer os laços e habilidades.

2. Exploração e Tabuleiro: Trechos de exploração lembram um jogo de tabuleiro ao estilo Mario Party ou Oregon Trail, onde decisões rápidas e coleta de materiais de crafting ditam sua sobrevivência.

3. Combate Estratégico (SRPG): As batalhas por turno recompensam a agressividade. Matar inimigos específicos concede ações extras, permitindo turnos prolongados. O uso do Voltage Gauge libera ataques devastadores, mas o jogo inverte tropos: usar o poder máximo pode matar o personagem temporariamente, incentivando sacrifícios táticos para ganhar pontos de upgrade em vez de níveis tradicionais.

Pontos Positivos:
  • Narrativa Monumental: A profundidade das rotas e a quantidade de finais criam uma experiência de descoberta constante e viciante.
  • Sistema de Combate Tenso: A economia de HP baixo e a necessidade de agressividade mantêm as batalhas desafiadoras do início ao fim.
  • Direção de Arte Única: A transição do traço de Komatsuzaki para o 3D foi executada com maestria.
  • Customização e Escolhas: O jogador decide quem executa os chefes, o que influencia diretamente no desenvolvimento das habilidades do grupo.

Pontos Negativos:

  • Efeitos Sonoros de Diálogo: Os grunhidos repetitivos durante o texto podem ser exaustivos.
  • Falta de Variedade nos Mapas: Apesar do combate ser divertido, os cenários de batalha carecem de diversidade visual e estrutural a longo prazo.
RESUMO
The Hundred Line: Last Defense Academy é um experimento narrativo absurdo que dificilmente será replicado. Ele funde a tensão de um jogo de sobrevivência com a profundidade estratégica de um RPG tático, tudo sob o manto de uma história que parece ter sido escrita para explodir a cabeça do jogador. É uma carta de amor aos fãs de visual novels de mistério, entregando um conteúdo colossal que justifica cada centavo investido.


NOTA: 10/10

The Hundred Line: Last Defense Academy está disponível para Nintendo Switch 1Nintendo Switch 2 e PC (Steam).

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