Por conhecer o trabalho de Ooyari Ashito, fiquei bastante interessado em Machine Child. Lançado no ocidente em 2026, o título se apresenta menos como um drama denso e mais como um relaxante dress-up sim, onde a progressão por agendas e a sorte nos caça-níqueis ditam o ritmo do crescimento da nossa protagonista. Se você procura uma narrativa profunda, pode se frustrar com a simplicidade, mas se o seu objetivo é o puro prazer estético e a satisfação de completar um guarda-roupa digital impecável, Machine Child é para você. A versão da Steam é censurada tendo que baixar um patch do próprio site da JAST USA (Onde a mesma também vende o jogo sem censura). A censura é somente de roupas, o jogo em si não contém nenhum tipo de cenas para maiores.
HISTÓRIA: Uma Jornada Fragmentada: A premissa foca na criação de uma filha em uma ilha isolada até que ambos se mudam para a cidade de Maldia. Lá, o jogador deve agendar atividades, trabalhos e encontros para que ela desenvolva sua própria identidade. A narrativa é extremamente segmentada: em vez de um enredo linear contínuo, a história é contada através de eventos curtos (geralmente menos de um minuto de leitura) que liberam insights sobre a cidade ou personagens secundários.
Embora existam sete finais possíveis baseados nos Arcanos Maiores, o roteiro evita conflitos reais. Muitas vezes, situações que sugerem perigo ou drama são resolvidas de forma quase cômica e segura na linha seguinte, o que pode frustrar quem busca uma narrativa densa. O foco é uma experiência de conforto sem grandes riscos emocionais.
GRÁFICO E SOM: O Estilo Inconfundível de Ashito: O grande trunfo do jogo. O design das heroínas é adorável, com uma interface (UI) que transborda fofura. O jogo conta com 47 CGs e impressionantes 201 roupas desbloqueáveis. O detalhamento das vestimentas é excepcional, embora a falta de variação de sprites para personagens secundários torne o mundo um pouco estático.
A trilha sonora utiliza adlibs vocais e notas joviais que criam uma atmosfera animada e condizente com o tema de criação. No entanto, a seleção de faixas é limitada, tornando-se repetitiva após algumas horas de jogo.
JOGABILIDADE: Gerenciamento e RNG: O sistema de jogo é baseado em semanas e stamina. O jogador escolhe atividades para aumentar cinco atributos: Carisma, Vitalidade, Sensibilidade, Inteligência e Moralidade.
Mecânica de Slot Machine: Diferente de outros simuladores com ganhos fixos, os atributos finais de cada atividade são decididos por uma máquina de caça-níqueis ao final do turno, o que adiciona um elemento de sorte (RNG).
Pontos Positivos:
Arte de Alta Qualidade: O trabalho de Ooyari Ashito é vibrante, detalhado e visualmente cativante.
Customização Extensa: Centenas de roupas que mudam a aparência da filha durante as atividades.
Interface Amigável: Menus intuitivos, indicadores de cenas não vistas e um sistema de reputação fácil de consultar.
Pontos Negativos:
Narrativa Superficial: Diálogos rasos e falta de conflitos tornam a história pouco memorável.
RNG Frustrante: Depender da sorte para desbloquear certas roupas ou eventos pode tornar a busca pelos 100% irritante.
Repetitividade: A falta de mecânicas de exploração ou minijogos torna o loop de escolher menu cansativo após o primeiro final.
Ausência de Save System Interno: Erros de clique podem custar horas de progresso, exigindo atenção constante do jogador.
RESUMO
Machine Child é mais um simulador de coleção de roupas e CGs do que um RPG de criação profundo. Ele brilha na estética e na sensação de tranquilidade, sendo ideal para sessões curtas e relaxantes. Se você busca uma história complexa ou um desafio estratégico rigoroso, pode sair decepcionado. Porém, se o seu objetivo é apreciar a arte de Ashito e ditar o crescimento de uma filha virtual em um ambiente livre de estresse, este título entrega exatamente o que promete: uma experiência visualmente doce, ainda que mecanicamente simples.
NOTA FINAL: 6,5/10
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