[REVIEW] NINJA GAIDEN 4 É O RETORNO BRUTAL DE UMA FRANQUIA LENDÁRIA
Quando terminei o jogo no ano passado, saí da experiência bastante satisfeito com o retorno da franquia, principalmente pelo combate extremamente técnico e pela forma como a parceria entre Team Ninja e PlatinumGames conseguiu modernizar a fórmula sem abandonar sua identidade. No começo de Abril deste ano, resolvi voltar para revisitar o jogo por conta da expansão Ninja Gaiden 4: The Two Masters. A DLC adiciona novas armas, desafios extras e mais algumas horas de pancadaria frenética. Mesmo sem revolucionar a experiência original, esse retorno ao universo de Ninja Gaiden serviu para reforçar algo que eu já sentia desde o lançamento: poucos jogos atuais conseguem entregar um sistema de combate tão agressivo, intenso e satisfatório quanto Ninja Gaiden 4.
O maior ponto de divisão é Yakumo. Como substituto temporário de Ryu Hayabusa, ele nunca alcança o mesmo nível de presença ou carisma do lendário protagonista da franquia. Enquanto Ryu sempre transmitiu imponência silenciosa, Yakumo oscila entre um ninja sério tradicional e um protagonista moderno cheio de frases de efeito que nem sempre funcionam.
Já a DLC Ninja Gaiden 4: The Two Masters continua os acontecimentos logo após o fim do jogo principal. Uma nova Greater Fiend ameaça Tóquio, forçando Yakumo e Ryu a unirem forças para enfrentar mais um exército demoníaco. O problema é que a DLC praticamente abandona qualquer ambição narrativa. O novo vilão mal recebe desenvolvimento, os acontecimentos passam rápido demais e a campanha termina antes que qualquer conflito ganhe peso. Ainda assim, o conteúdo consegue mostrar um Yakumo mais maduro após os eventos da campanha principal, enquanto Ryu continua sendo o clássico ninja frio e dominante que os fãs adoram.
No geral, tanto o jogo base quanto a DLC deixam claro que história nunca foi a prioridade da franquia. Felizmente, o combate compensa quase tudo.
O verdadeiro destaque gráfico está nas animações de combate. Cada arma possui movimentos únicos, execuções brutais e efeitos extremamente estilosos. As novas armas adicionadas em The Two Masters elevam ainda mais esse espetáculo visual, especialmente o Solitaire de Yakumo e o Jakotsumon de Ryu.
Na parte sonora, a trilha acompanha perfeitamente a intensidade da ação. As músicas dificilmente se tornam memoráveis, mas ajudam a manter a adrenalina constante. Já os efeitos sonoros são excelentes: golpes, explosões, desmembramentos e execuções possuem impacto absurdo e reforçam a brutalidade característica da franquia.
O sistema Bloodraven permite fortalecer ataques, quebrar defesas inimigas e alterar propriedades das armas, incentivando uma postura agressiva. Já o Bloodbath cria momentos espetaculares de eliminações instantâneas em massa.
Cada arma possui árvores próprias de habilidades e estilos completamente diferentes. Yakumo começa com dual katanas, mas logo desbloqueia lanças, bastões, garras e armas híbridas capazes de transformar completamente o ritmo dos combates.
A DLC adiciona duas das melhores armas do jogo:
- Solitaire, uma foice dupla extremamente versátil para Yakumo;
- Jakotsumon, correntes expansivas que finalmente tornam Ryu ainda mais móvel e agressivo.
O combate recompensa criatividade, velocidade e adaptação constante. O jogador pode trocar armas durante combos, improvisar ataques e alternar entre agressividade e defesa quase sem interrupções. As mecânicas defensivas incluem esquivas perfeitas, parries e bloqueios, mas diferente de jogos como Bayonetta, Ninja Gaiden 4 não gira totalmente em torno de counters. Sobrevivência depende mais de pressão ofensiva inteligente e leitura de espaço.
Muito dos chefes possuem barras de vida exageradas e causam dano excessivo, transformando batalhas em confrontos muito mais lentos e defensivos do que o combate normal. Em alguns momentos, eles lembram encontros de Nioh 2 ou até Soulslikes.
Outro ponto que não gosteio muito são as sequências de movimentação que parecem inspiradas em subway surfers, envolvendo trilhos, surf e parkour automático. Elas quebram o ritmo da ação e parecem deslocadas dentro da experiência.
Pontos Positivos:
- Combate de Elite: Um dos melhores sistemas de combate da geração, extremamente rápido, técnico e brutal.
- Sistema de Armas e Progressão: Grande variedade de armas e estilos de jogo. Bloodraven adiciona profundidade estratégica excelente. As novas armas da DLC são fantásticas.
- Desafio Genuíno: Inimigos agressivos exigem domínio real do gameplay que respeita a dificuldade clássica da franquia. Abyssal Road oferece enorme fator replay.
- Exploração Recompensadora: Os estágios avançados recompensam o desvio do caminho principal com desafios de arena excelentes e itens de customização.
- Modernizou a Franquia: Excelente mistura entre tradição e modernização da série. As animações são fluidas e execuções extremamente impactantes.
Pontos Negativos:
- Protagonista e Narrativa Fracos: Yakumo é sem graça, o enredo é picotado e a ausência de um antagonista forte deixa a campanha sem peso.
- Seções de Plataforma Bizarras: As sequências de corrida em trilhos quebram completamente o clima ninja.
- Balanço de Danos nos Chefes: Lutas contra chefes se tornam tediosas e punitivas em excesso, exigindo memorização estrita em vez de fluxo dinâmico de combate.
- Práticas Comerciais Abusivas: Sidelinar Ryu Hayabusa e cobrar por suas armas clássicas através da DLC pós-lançamento é um desrespeito.
- DLC: É extremamente curta e Ryu continua com o mínimo de foco.



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