[REVIEW] O PESO DAS MEMÓRIAS EM KUGAYAMA SHIORI'S DEATH DIARY

Kugayama Shiori’s Death Diary nos apresenta uma fantasma excêntrica que passa os dias tentando se matar das formas mais criativas possíveis, na esperança de que o choque desperte suas memórias perdidas. Escrita por Kazuki Fumi (9-nine-, Nanairo Reincarnation), esta visual novel da Laplacian abandona as fórmulas genéricas para entregar um mistério de fantasia urbana que oscila entre a comédia mórbida e o horror psicológico. O que começa como uma investigação chill sobre lendas urbanas e diários de morte logo se revela uma das histórias mais sombrias e emocionalmente devastadoras do estúdio, provando que, por trás de cada espírito que assombra esta cidade, existe uma verdade que talvez fosse melhor ter permanecido esquecida.

HISTÓRIA: Fantasmas e Mistérios

A trama começa com o protagonista encontrando uma colegial chamada Shiori Kugayama enforcada, apenas para descobrir que ela é um fantasma que não se lembra de como morreu. Shiori tem o hábito bizarro de cometer suicídio repetidamente de várias formas, acreditando que o choque da morte possa despertar suas memórias perdidas, registrando tudo em seu Diário da Morte.

O enredo se desenvolve como um mistério investigativo onde você deve ajudar Shiori e outros espíritos da cidade, como uma bibliotecária melancólica e uma gyaru de loja de conveniência, a resolverem seus arrependimentos. O que começa com uma comédia mórbida e relaxada se transforma, na segunda metade, em um drama psicológico denso e surpreendentemente sombrio, explorando temas pesados (como crimes de pedofilia) que podem desconfortar jogadores mais sensíveis. O final verdadeiro é uma montanha-russa emocional que utiliza o meio das visual novels de forma magistral.

GRÁFICO E SOM: Estética Sobrenatural e Polêmica

A arte dos personagens é expressiva e captura bem a dualidade entre o cotidiano e o macabro. Um ponto importante é que o jogo utiliza cenários assistidos por IA, o que pode ser algo negativo para quem valoriza o trabalho puramente manual. Como não é um eroge, as cenas mais sombrias são descritas narrativamente em vez de mostradas em detalhes explícitos.


A trilha sonora cumpre seu papel em criar a atmosfera de mistério. Um detalhe é que o protagonista é quase totalmente mudo. Embora haja uma justificativa narrativa para isso, a falta de falas dubladas para o personagem principal faz com que, muitas vezes, pareça que os outros personagens estão falando com uma parede, o que quebra a imersão em certos momentos.

JOGABILIDADE: O Mapa e o Sistema de Escolhas

Diferente de visual novels lineares, Death Diary possui um sistema de mapa onde você escolhe para onde ir para avançar na investigação.


O sistema de escolhas é enganosamente complexo. Algumas decisões parecem inofensivas, mas podem trancar informações cruciais para o final verdadeiro. A ordem em que você visita os locais e fala com os personagens importa drasticamente. Existem 10 finais ruins que são bem elaborados (não apenas telas de Game Over rápidas), além de um final normal e o impactante final verdadeiro. A progressão pode ser confusa, e o uso de um guia é altamente recomendado para evitar frustrações.

Pontos Positivos:

  • Roteiro de Kazuki Fumi: O melhor trabalho da Laplacian até agora, com revelações bem ritmadas e um final emocionante que compensa a jornada.
  • Protagonista Feminina Cativante: Shiori é excêntrica, chill e recebe um excelente desenvolvimento de personagem.
  • Mistério Envolvente: As regras do mundo dos fantasmas são introduzidas de forma orgânica e interessante.
  • Duração Ideal: Cerca de 10 horas de conteúdo focado, sem muita enrolação (exceto por algumas missões secundárias iniciais).

Pontos Negativos:

  • Protagonista Mudo: A falta de diálogos falados para o personagem que controlamos pode ser distraente e prejudica o dinamismo das cenas.
  • Sistema de Navegação Confuso: É fácil perder eventos específicos por causa da ordem das visitas ao mapa, forçando o uso de guias.
  • Uso de IA nos Cenários: Pode desagradar jogadores que preferem arte tradicional.
  • Temas Gatilho: A história mergulha em territórios muito obscuros e perturbadores na reta final.
RESUMO
Kugayama Shiori’s Death Diary é uma excelente mistura de fantasia urbana, mistério e drama emocional. Embora o preço possa parecer salgado para uma experiência de 10 horas com cenários de IA e um protagonista mudo, a qualidade do roteiro de Kazuki Fumi faz valer a pena para fãs do gênero. É um título que começa com uma premissa boba de humor negro e termina fazendo você chorar com uma reflexão profunda sobre os laços entre os vivos e os mortos. Se você gosta de mistérios sobrenaturais com um toque de melancolia, esta é uma leitura obrigatória.


NOTA: 8/10

Kugayama Shiori’s Death Diary está disponível para PC (Steam) e irá lançar para Nintendo Switch em 30 de Julho.

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