[REVIEW] THE ADVENTURES OF ELLIOT: THE MILLENNIUM TALES É ATÉ O MOMENTO O JOGO DE HD-2D MAIS BONITO DA SQUARE ENIX



The Adventures of Elliot: The Millennium Tales surge como uma aposta da Square Enix no motor HD-2D, equilibrando a nostalgia dos RPGs de ação clássicos com mecânicas de viagem no tempo. O título coloca o jogador na pele de um jovem aventureiro cujas descobertas em ruínas ancestrais desencadeiam uma jornada através de quatro eras distintas do reino de Huther. Entre a profundidade emocional, ótima trilha sonora e o uso repetitivo de seus cenários, o jogo se apresenta como um conceito fascinante que não conseguiu alcançar todo o seu potencial.

HISTÓRIA: Entre a Jornada Profunda e o Ritmo Irregular


A trama de The Adventures of Elliot: The Millennium Tales coloca o jogador na pele de um aventureiro comum do Reino de Huther, um local que se protege das tribos de feras através da magia da Princesa Heuria. Quando Elliot descobre ruínas contendo um portal temporal, ele é lançado em uma jornada através de eras para evitar catástrofes que ameaçam o presente. O protagonista, inicialmente uma folha em branco, se revela ser o coração da obra: um órfão em busca de suas origens cuja dinâmica com Faie, uma fada que apenas ele pode ver e ouvir, é um dos pontos altos do jogo. A relação entre os dois evolui de forma natural ao longo da campanha, com Faie deixando de ser apenas uma mascote para se tornar uma verdadeira parceira de jornada, equilibrando inocência e humor com momentos de forte carga emocional.

No entanto, a narrativa apresenta um contraste marcado na recepção. Com um bom roteiro, personagens secundários bem escritos, dublagem de alto nível e uma conexão emocional genuína, a história ainda consegue ser arrastada. A trama demora a engrenar, passeando por desenvolvimentos mundanos antes de atingir um clímax frenético e impactante na reta final. Ainda assim, quando a narrativa encontra seu ritmo, ela recompensa o jogador com excelentes reviravoltas, um uso inteligente das viagens no tempo e missões secundárias que aprofundam o desenvolvimento dos personagens e mostram como pequenas ações no passado podem gerar consequências significativas no presente.

GRÁFICO E SOM: O Estilo HD-2D em seu Auge

O uso do motor HD-2D, marca registrada de sucessos anteriores da Square Enix, é indiscutivelmente o ponto mais forte da apresentação de Elliot. O estilo confere uma profundidade notável ao mundo, com ambientes exuberantes, vegetação rica e vistas deslumbrantes que saltam da tela. Mesmo revisitando as mesmas regiões em diferentes eras, pequenas mudanças na arquitetura, na natureza e no estado das construções ajudam a transmitir a passagem do tempo. O design artístico é detalhado e vibrante, desde a vestimenta inspirada nos clássicos RPGs de Elliot até a expressividade constante de Faie, que permanece visível na tela mesmo quando não participa diretamente dos diálogos.

O aspecto sonoro acompanha essa excelência visual, com uma trilha orquestral perfeita. A dublagem em japonês, especialmente na entrega de Ryota Osaka como Elliot, da personalidade e peso emocional mesmo aos momentos de exploração mais simples.

JOGABILIDADE: Combate Dinâmico e a Repetição Estrutural


A jogabilidade oferece um sistema de ação multicamadas. Elliot utiliza um arsenal variado (espadas, lanças, arcos, martelos, foices, bombas e bumerangues), complementado pelo sistema de Magicite, que permite personalizar builds com efeitos transformadores e incentiva diferentes estilos de jogo. A inclusão de Faie como um personagem controlável via analógico direito adiciona camadas interessantes de puzzle e combate, permitindo utilizar magias como teletransporte, impulsos de velocidade, ataques elementais e até criar um clone de Elliot para solucionar desafios.

As batalhas contra chefes são um dos maiores destaques da aventura. Cada confronto exige leitura dos padrões inimigos, domínio da mecânica de Perfect Guard e bom gerenciamento dos recursos disponíveis, oferecendo um desafio consistente, especialmente nas dificuldades mais altas. A exploração também recompensa constantemente o jogador com melhorias permanentes de vida, expansão da capacidade de consumíveis, novos Magicites e materiais para fortalecer os equipamentos, mantendo a sensação de progresso durante toda a campanha.

A exploração em eras diferentes muda a forma como o mapa é percorrido, com novos caminhos, áreas antes inacessíveis, mudanças na geografia, diferentes estados das dungeons e novas utilidades para habilidades adquiridas ao longo da jornada. Isso cria uma sensação constante de descoberta para quem aprecia exploração mais cuidadosa.


A repetição do mesmo mapa quatro vezes é algo tedioso. A sensação de revisitar ambientes quase idênticos muitas vezes apenas para encontrar salas de dungeon inacessíveis ou inimigos reciclados, gera um sentimento de potencial desperdiçado e fadiga de backtracking. Alguns dos diversos puzzles poderiam ter mais criatividade, assim como o conjunto de habilidades disponíveis, para tornar as dungeons mais variadas.

Pontos Positivos:
  • Estética HD-2D: Visuais deslumbrantes e detalhados que definem um novo patamar para o estilo.
  • Sistema de Combate: A combinação de armas, defesa e o sistema de Magicite oferece profundidade para diferentes estilos de jogo.
  • Conexão Emocional: A relação entre Elliot e Faie é bem executada.
  • Chefes Excelentes: Batalhas variadas, estratégicas e muito satisfatórias.
  • Exploração Recompensadora: A aventura incentiva constantemente a descoberta de melhorias permanentes, segredos e conteúdos opcionais.
  • Missões Secundárias: Muito acima da média, expandem a narrativa, aprofundam personagens e tornam o mundo muito mais vivo.
  • Trilha Sonora: Música orquestral consistente que emoldura perfeitamente o tom de cada era.
  • Aspectos Técnicos: Excelente dublagem e direção de arte.

Pontos Negativos:

  • Repetição de Mapas: O uso extensivo das mesmas locações em quatro períodos diferentes pode se tornar monótono.
  • Ritmo Narrativo: O início da história carece de urgência, com muitos desenvolvimentos mornos antes do engajamento total.
  • Design de Dungeons: Alguns desafios de puzzles são muito simples ou pouco inspirados para o potencial apresentado.
  • Reutilização: Diversos inimigos e alguns chefes são repetidos ao longo da campanha.
RESUMO
The Adventures of Elliot: The Millennium Tales é uma experiência que por um lado, é uma jornada com coração, personagens memoráveis, excelente senso de aventura, mecânicas viciantes e um apelo emocional raro que lembra o auge dos RPGs de ação da Square Enix e que seu combate evolui de forma consistente, as missões secundárias enriquecem significativamente a narrativa e a exploração consegue manter o jogador constantemente recompensado. De outro, é como um título de enorme potencial disperdiçado, onde um sistema de combate sólido, um visual impecável e excelentes ideias acabam limitados por um design de mundo repetitivo, excesso de backtracking e uma estrutura de viagem no tempo que poderia ter sido explorada de melhor maneira. Ainda assim, mesmo com essas limitações, Elliot entrega uma aventura marcante, repleta de personalidade e que estabelece uma base extremamente promissora para uma possível sequência.

NOTA: 8/10

The Adventures of Elliot: The Millennium Tales está disponível para PS5, Xbox X|S, Nintendo Switch 2 e PC (Steam).

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