[REVIEW DE DEMO] ONIMUSHA: WAY OF THE SWORD PARECE SER OUTRO ACERTO DA CAPCOM

Não há nada mais gratificante para os entusiastas de jogos de ação do que testemunhar o retorno de franquias consagradas que pareciam esquecidas no tempo. Onimusha: Way of the Sword marca o retorno da lendária saga de samurais da Capcom após um longo hiato. Com lançamento agendado para 25 de Setembro de 2026, a desenvolvedora disponibilizou imediatamente uma demo. Embora curta e focada em apresentar a atmosfera e a filosofia de seu combate, a demo deixa claro que a Capcom não optou por um recomeço seguro e puramente nostálgico. Way of the Sword utiliza o poder da RE Engine para estabelecer uma identidade mecânica própria e rejeitando o rótulo de soulslike punitivo para entregar um duelo de espadas rítmico, expressivo e profundamente recompensador.

O Ritmo do Aço, Precisão e Duelos

Ainda que impressões preliminares tentem associar Way of the Sword aos soulslikes devido ao design de mapas com atalhos interconectados e portas que só abrem por um lado, o núcleo do jogo pertence puramente à tradição de ação da Capcom. O esquema de controles padrão reflete essa audácia. Ele mapeia os ataques principais para os botões Triângulo e Círculo, reservando o Quadrado para defesas, bloqueios e desvios (há uma opção clássica de defesa no L1, mas o layout padrão dita a real intenção dos desenvolvedores).


O combate não possui uma barra de estamina, permitindo ações contínuas, mas impõe uma inércia realista. Cada golpe desferido por Musashi com sua espada possui um tempo de preparação longo e pesado, exigindo que o jogador se comprometa com o movimento, embora a recuperação da animação seja veloz e permita emendar combos. Como os inimigos comuns e os yokais da demo não atacam desesperadamente e sabem esperar o momento certo para golpear, os confrontos com múltiplos oponentes não se tornam caóticos, dando margem para ajustes manuais na câmera, que ocasionalmente exige atenção.


Way of the Sword não é um jogo onde o parry é a única mecânica de sobrevivência, mas quando executado, o sistema brilha. Diferente de outros jogos que transformam o parry em um minijogo de ritmo de botão único, aqui o tempo perfeito recompensa o jogador com animações exclusivas e graduais. Faíscas extras voam pela tela e a câmera se inclina sutilmente para enquadrar a perícia de Musashi, garantindo uma satisfação mecânica formidável.


Para coibir o esmagamento frenético de botões, a Capcom introduziu o confronto direto de espadas. Se você atacar repetidamente com o mesmo comando e o inimigo revidar, as lâminas se colidirão em um teste de força. Para vencer esse impasse e quebrar a postura do adversário, o jogador é obrigado a alternar instantaneamente para o outro botão de ataque. Pressionar o mesmo comando resulta em punição severa: a demo demonstra que poucos golpes inimigos são suficientes para esvaziar sua vida, e os itens de cura não são generosos o bastante para sustentar erros. O jogo traz ainda mecânicas de reversão de agarrões e quebras de guarda.


A demonstração culmina em um embate contra Ganryu, um rival que também empunha a manopla Oni. A luta funciona como um espetáculo de alto dano mútuo: ambos os personagens arrancam fatias generosas de vida a cada acerto, fazendo a batalha terminar rapidamente. O combate entrega a sensação de uma coreografia cinematográfica: se Ganryu acertar Musashi, o jogador não fica preso em um combo infinito, sendo perfeitamente capaz de rolar para longe e se recompor, evidenciando um fluxo de combate justo, cadenciado e focado em ler os movimentos do oponente. Jogar com precisão confere um bônus na absorção de almas através da manopla, recurso que servirá para melhorias na versão final.

A Expressividade da RE Engine

Mesmo rodando no modo de desempenho no PS5, Onimusha se provou esteticamente impecável. O grande trunfo técnico reside no trabalho de animação e na expressividade de Musashi. A Capcom utilizou o orçamento de forma inteligente para injetar personalidade e carisma no protagonista por meio de expressões faciais e corporais.

Musashi demonstra tédio, frustração e cansaço de forma realista. Detalhes como o leve movimento de ombros para ajustar a manopla Oni após guardar a espada na bainha, as bochechas inflando em descontentamento, o olhar atento ao espremer-se por frestas estreitas nas paredes e a postura relaxada quando ocioso conferem ao personagem um magnetismo visual impressionante. A ambientação do Japão feudal sob invasão de monstros é opressiva e rica em texturas, e a desenvolvedora se mostrou tão confiante no apelo visual que o Modo Fotografia já veio na própria demo.

O departamento sonoro cumpre o papel de ditar a tensão dos cenários limítrofes da demo. O som do metal colidindo durante o choque de lâminas entrega o peso e a crueza que um combate de samurais exige. A trilha sonora se comporta de maneira dinâmica, sabendo valorizar o silêncio e os ruídos ambientes enquanto Musashi estuda o posicionamento dos inimigos e explora os corredores, explodindo em arranjos imponentes e dramáticos assim que o confronto contra Ganryu é iniciado.

Veredito
A demo de Onimusha: Way of the Sword cumpre perfeitamente o papel de provar que a Capcom continua operando em seu auge técnico e criativo em 2026. Ao evitar a armadilha de produzir um clone de Dark Souls ou de apostar em um jogo de ação frenético sem identidade, o estúdio resgata a essência da franquia com um combate tático, pesado e focado no tempo correto de resposta. Ancorado pela excelente otimização da RE Engine, pelo carisma visual de Musashi e por um sistema de colisão de espadas inventivo, o trecho de testes eleva as expectativas para o lançamento em setembro, posicionando o título como um forte candidato a um dos grandes jogos de ação do ano.

Onimusha: Way of the Sword será lançado globalmente no dia 25 de Setembro de 2026 para PS5, Xbox X|S e PC (Steam e Epic Games).

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