[REVIEW] TOKYO VALKYRIES MISTURA DECKBUILDER COM VISUAL NOVEL

Em Tokyo Valkyries, o jogador é lançado em uma encruzilhada inusitada entre equilibrar a vida de uma estudante universitária em Tokyo com o dever de guerreira no mundo fantástico de Grand Earth. Misturando a narrativa detalhada de uma visual novel com a tensão estratégica de um roguelite deckbuilder, o título tenta um delicado balanço entre exposição de personagens, táticas de combate e elementos de fan service. Embora não busque reinventar a roda ou competir em profundidade com os gigantes do gênero, o jogo se destaca pelo carisma de seu elenco e por um sistema de sinergia de equipe surpreendentemente bem estruturado.

HISTÓRIA: Dualidade entre Tokyo e a Fantasia

O enredo acompanha Haruka Fuchi, uma estudante universitária que se vê dividida entre a vida acadêmica moderna em Tokyo e o reino fantástico de Grand Earth. Ela e um grupo de garotas escolhidas devem enfrentar uma força maligna chamada Belzebia.

A narrativa é predominantemente estruturada como uma visual novel, com muito foco em diálogos e no desenvolvimento das relações entre as heroínas. A premissa é interessante, mas o jogo prioriza a interação social em vez de uma trama central complexa. A dublagem japonesa é um ponto fortíssimo, conferindo personalidade e carisma a um elenco memorável, embora o ritmo seja por vezes prejudicado pelo excesso de exposição narrativa e telas de carregamento entre as cenas.

Cada heroína possui uma personalidade bastante distinta, fazendo com que o jogador rapidamente crie afinidade com algumas delas. Embora a história principal perca parte de seu impacto conforme avança, o desenvolvimento do elenco consegue manter o interesse durante boa parte da campanha. Quem aprecia visual novels encontrará uma quantidade considerável de diálogos e momentos dedicados à construção dos relacionamentos entre as personagens.

GRÁFICO E SOM: O Contraste Visual
A direção artística é um dos maiores destaques do jogo.

Visual Novel

As ilustrações em estilo anime são muito bonitas, com personagens bem desenhadas e chefes visualmente distintos. Já durante as batalhas, o jogo troca essas artes detalhadas por pequenos sprites em estilo chibi, criando um contraste que pode causar certa estranheza.

Combate

Há um contraste brusco quando o jogo passa para a batalha, trocando as artes detalhadas por sprites no estilo chibi sobre fundos estáticos. Embora simples, a apresentação é funcional e mantém boa legibilidade durante os combates.

Som

A trilha sonora cumpre o papel, mas é a qualidade da atuação de voz japonesa que eleva a experiência, dando vida às heroínas e tornando os diálogos muito mais expressivos.


Os elementos de fan service aparecem principalmente durante os rituais de fortalecimento das personagens, utilizando animações sugestivas e metáforas visuais em vez de conteúdo explícito. Apesar da temática, o jogo evita exageros e mantém esse aspecto como apenas uma parte da experiência.

JOGABILIDADE: Estratégia de Cartas e Sinergia
A base de Tokyo Valkyries é o deckbuilder no estilo Slay the Spire. O jogador controla um grupo de três personagens, onde a sinergia entre as integrantes (ataques em sequência, habilidades passivas e bônus de líder) é essencial.

Sistema de Combate

O uso de atributos (Resolve, Courage, Hope e Doll) define quais cartas cada heroína pode usar, incentivando a criação de estratégias específicas. O sistema de Líder permite o uso de habilidades poderosas que podem salvar o jogador em momentos críticos, funcionando como uma espécie de carta na manga durante as batalhas mais difíceis. Cada personagem possui mecânicas exclusivas, incentivando diferentes composições de equipe. Algumas são focadas em causar dano massivo, outras atuam como tanque ou suporte, tornando a escolha da formação um dos aspectos mais interessantes do jogo.

Ritmo de Jogo

O roguelite funciona bem, com mapas ramificados contendo lojas, cafeterias, eventos aleatórios, armários de recompensa, batalhas contra inimigos de elite e chefes. Os inimigos sempre revelam suas próximas ações antes do turno, permitindo que o jogador planeje melhor suas jogadas e utilize cartas defensivas ou ofensivas de maneira estratégica. A dificuldade cresce gradualmente, exigindo um gerenciamento cada vez melhor dos recursos disponíveis.

Progressão

O sistema de rituais (o principal componente de fan service) fortalece permanentemente as personagens através de minigames interativos, unindo mecânicas de RPG com elementos visuais sugestivos, marca registrada do título. Além das cartas, o jogador encontra relíquias, itens consumíveis e melhorias permanentes durante cada campanha. Esses recursos aumentam as possibilidades estratégicas e tornam cada progresso recompensador, mesmo que a variedade de builds seja um pouco limitada quando comparada aos principais representantes do gênero.

Pontos Positivos:

  • Sinergia de Equipe: A necessidade de montar um grupo de três personagens torna a estratégia de combate mais envolvente que em outros deckbuilders solitários.
  • Design de Personagens: Arte de alta qualidade para as heroínas, com dublagem japonesa excelente. Conta também com uma boa variedade de habilidades exclusivas entre as personagens.
  • Acessibilidade: O combate é fácil de entender, mas oferece profundidade suficiente para satisfazer quem busca estratégia básica.
  • Pós-game: A inclusão de um Modo Livre (para bater recordes) e um modo Extra (galerias de arte e diagramas de cartas) estende a vida útil após o término da história principal.
  • Curto e Viciante: Sistema de progressão intuitivo e recompensador. Excelente custo-benefício para fãs de visual novels e jogos de cartas.

Pontos Negativos:

  • Ritmo Narrativo: O excesso de texto e diálogos pode cansar, criando um desequilíbrio entre a leitura e a ação.
  • Repetitividade: A variedade de inimigos é limitada e os decks tendem a se repetir entre as jogadas, reduzindo o fator surpresa a longo prazo.
  • QoL: A necessidade de segurar o botão para acelerar o combate (em vez de um toggle fixo) é uma escolha de design frustrante.
  • Fator Sorte: Eventos aleatórios, como os armários de recompensa, podem parecer desbalanceados, gerando frustração em jogadores mais metódicos.
RESUMO
Tokyo Valkyries é uma mistura curiosa e competente de visual novel, deckbuilder e fan service. Não busca reinventar a roda nem competir em profundidade estratégica com gigantes como Slay the Spire, mas entrega exatamente o que promete para o seu público-alvo, uma experiência de anime prazerosa, com um elenco carismático e sistemas de combate acessíveis. Embora sofra com um ritmo narrativo um pouco lento e uma certa repetitividade nos encontros inimigos, é um título sólido para quem deseja relaxar com uma boa história, designs de personagens atraentes e uma mecânica de cartas viciante. Recomendado para fãs do gênero que valorizam a interação entre personagens tanto quanto a estratégia.


NOTA: 7,5/10

Tokyo Valkyries está disponível mundialmente para PC (Steam) e no Japão para Nintendo Switch.

Comentários

Postar um comentário

Postagens mais visitadas