[REVIEW] STEINS;GATE RE:BOOT ERA MESMO NECESSÁRIO?
Com Steins;Gate Re:Boot, a franquia de viagens no tempo mais famosa dos games tenta encontrar seu espaço nas plataformas modernas. Combinando uma direção visual repaginada, ferramentas de navegação aprimoradas e uma nova rota focada na enigmática Kiryu Moeka, o título busca atrair tanto novos jogadores quanto veteranos nostálgicos. Mas será que essas adições trazem fôlego o suficiente para justificar mais um retorno ao laboratório de Okabe Rintarou, ou o peso do passado acaba tornando esta reedição redundante?
O problema está na maneira como Re reapresenta esse material. O roteiro tem como base a versão condensada de Steins;Gate Elite. Embora isso resulte em uma experiência mais rápida e, para alguns jogadores, mais agradável, também significa que determinados pensamentos de Okabe e pequenas descrições do ambiente foram retirados. Para quem prefere o roteiro original, essa perda pode afetar bastante a imersão. Comparado ao primeiro Steins;Gate, portanto, Re não apresenta uma reconstrução radical da narrativa. É essencialmente a mesma história, com alguns acréscimos e uma nova apresentação. As rotas alternativas continuam sendo um ponto irregular, por exemplo, algumas como as de Suzuha e Faris, funcionam muito bem, enquanto outras parecem terminar justamente quando poderiam começar a explorar melhor suas ideias.
A principal novidade narrativa é a rota de Moeka. É interessante finalmente dar à personagem uma conclusão própria, mas a expectativa criada em torno dela é maior do que aquilo que o conteúdo realmente entrega. A rota é curta e funciona mais como uma introdução à Gamma Worldline do que como uma história completa. Ela é uma adição bem-vinda, mas está longe de ser o grande conteúdo inédito que poderia justificar sozinho um novo remake. Também existem referências e elementos relacionados a Steins;Gate 0, incluindo uma nova cena que funciona mais como uma homenagem e conexão entre as obras do que como uma expansão significativa da narrativa.
Em comparação com o original, o visual é claramente mais refinado, mas não necessariamente superior em todos os sentidos. O estilo da primeira visual novel tinha uma personalidade muito particular, e Re acaba trocando parte dessa estranheza por uma apresentação mais limpa e familiar. As novas CGs também são um ponto positivo. Algumas conseguem dar mais impacto a momentos importantes da narrativa, complementando cenas que já eram memoráveis.
A dublagem continua excelente. As novas gravações aproveitam um elenco que já conhece profundamente seus personagens, e as performances continuam sendo fundamentais para transmitir o humor e, principalmente, o peso emocional da segunda metade. Por outro lado, há pequenos problemas de apresentação. Algumas caixas de diálogo precisam diminuir bastante o tamanho da fonte quando há muito texto, e certas imagens presentes dentro do jogo não receberam tradução.
Ele influencia algumas rotas, permite desbloquear conteúdos extras e é necessário para alcançar o final verdadeiro, mas boa parte das conversas opcionais oferece apenas pequenas expansões de personalidade, wallpapers e toques. Curiosamente, Re restaura o funcionamento do Phone Trigger mais próximo do que existia na visual novel original. Isso é positivo para quem prefere aquela versão do sistema, embora não transforme o recurso em algo especialmente profundo.
Um dos melhores acréscimos é o Observer Mode. O recurso apresenta visualmente as diferentes worldlines e ramificações da história, facilitando bastante a compreensão da estrutura narrativa e permitindo acompanhar eventos que poderiam passar despercebidos. É uma ferramenta especialmente útil para quem pretende completar todas as rotas. Ainda assim, seria interessante poder ampliar ou reduzir mais livremente a visualização e, principalmente, acessar diretamente os acontecimentos a partir dela.
- Enredo e Personagens Brilhantes: A escrita original permanece atemporal, com relações profundas e uma trama de viagem no tempo fascinante.
- Nova Direção Artística: O redesenho visual unifica o melhor do estilo clássico e da adaptação em anime com grande competência.
- Observer Mode: Uma ferramenta excelente e intuitiva para acompanhar as ramificações das linhas de mundo.
- Dublagem e Nova Tradução: As atuações continuam impecáveis, enquanto a nova tradução oferece uma leitura mais refinada e natural.
- Novas CGs e Conteúdo Adicional: As novas ilustrações e pequenas referências a Steins;Gate 0 complementam momentos importantes sem descaracterizar a obra.
- Phone Trigger Restaurado: O sistema de mensagens retorna a um funcionamento mais próximo do original, algo positivo para quem prefere a estrutura clássica.
Pontos Negativos:
- Justificativa Frágil para um Novo Remake: Por reutilizar o script enxuto de versões passadas, o jogo traz poucas inovações substanciais para quem já conhece a história.
- Rota de Moeka Curtas Demais: A tão aguardada adição de conteúdo para a personagem acaba parecendo um resumo rápido em vez de uma campanha profunda.
- Ritmo Acelerado: Cortes herdados de reedições anteriores prejudicam a imersão em momentos cruciais de introspecção do protagonista.
- Pouca Expansão da História: Apesar da promessa de mais conteúdo, a estrutura geral permanece praticamente a mesma, com poucas adições realmente significativas.
- Phone Trigger Pouco Relevante: Mesmo restaurado, o sistema continua simples e menos interessante do que os mecanismos presentes em outras visual novels da série Science Adventure.
- Monopólio de Disponibilidade: A ausência do roteiro original como alternativa em boa parte das plataformas é problemática, especialmente para quem gostaria de escolher entre a versão clássica e a reescrita.










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