[REVIEW] ONIMUSHA: WAY OF THE SWORD É MAIS UM ACERTO DA CAPCOM


Após mais de duas décadas longe dos consoles, a lendária franquia da Capcom finalmente retorna com Onimusha: Way of the Sword. Ambientado em uma sombria Era Edo, o jogo coloca Miyamoto Musashi no centro de uma batalha contra os Genma, trazendo de volta a atmosfera, o combate visceral e o misticismo que marcaram a série. Com gráficos modernos, novos sistemas de combate e uma história inédita!

HISTÓRIA: O Retorno de Miyamoto Musashi e a Sombra dos Genma

A trama transporta o jogador para uma versão sombria de Kyoto, assolada pelo Miasma e pelas criaturas demoníacas conhecidas como Genma. Durante um duelo, o renomado espadachim Miyamoto Musashi é tragicamente assassinado, mas ganha uma segunda chance ao ser ressuscitado e acorrentado à mítica Manopla Oni. Oblivioso a nobrezas e focado puramente em provar sua força, Musashi relutantemente une forças com um improvável grupo de aliados no templo local para purificar a cidade, fechar fendas infernais e tentar se livrar do artefato que o prende à vida. A Manopla Oni, porém, não serve apenas como elemento narrativo. Ela também é fundamental para a própria jornada de Musashi, permitindo absorver as almas dos Genma e utilizar seus poderes. Ao longo da aventura, o protagonista descobre mais sobre o conflito entre os Oni e os Genma e sobre o papel que ele terá na tentativa de impedir que essa guerra alcance o mundo dos humanos.

A narrativa brilha não por reinventar a roda, mas pela excelente construção de seu protagonista: um anti-herói carismático e realista que conduz um enredo dinâmico e cinematográfico. Embora a estrutura urbana em Quioto traga missões secundárias por vezes repetitivas e lineares, a trama principal engaja do início ao fim com reviravoltas marcantes, mantendo o ritmo ideal para uma campanha de cerca de 20 a 25 horas. Musashi também se destaca justamente por fugir do arquétipo tradicional do samurai honrado. Inicialmente, ele está muito mais interessado em sua própria força e em seguir o chamado “caminho da espada” do que em salvar qualquer pessoa. Essa postura cria uma evolução interessante ao longo da campanha, conforme sua convivência com os demais personagens e os acontecimentos da jornada fazem com que ele passe a enxergar sua responsabilidade de outra maneira. Os personagens secundários também contribuem para esse desenvolvimento, com pequenas histórias e conflitos que complementam a aventura principal e ajudam a criar uma sensação semelhante à de acompanhar um bom anime de ação e fantasia.

GRÁFICO E SOM: O Esplendor e a Sinfonia do Perodo Edo

No departamento visual, o título desfruta de todo o primor técnico da RE Engine. Desde a modelagem detalhada dos personagens até os cenários sombrios da Era Edo e o design aterrorizante dos chefes, tudo transborda identidade e esmero artístico. Efeitos como a espada envolta em chamas no Estado Escaldante impressionam, complementados por opções de desempenho fluidas que rodam perfeitamente no console. A direção de arte consegue fazer com que os Genma realmente pareçam criaturas vindas de uma dimensão infernal, enquanto os cenários apresentam uma grande variedade de templos, construções tradicionais, regiões contaminadas pelo Miasma e áreas completamente dominadas pelas forças sobrenaturais.

O design sonoro é um verdadeiro show à parte. A trilha sonora tradicional eleva a imersão a patamares altíssimos, enquanto a flexibilidade de customização de áudio oferece dublagem de altíssimo nível em japonês e em PT-BR. No PS5, também existem diferentes opções para priorizar qualidade ou desempenho, incluindo suporte para monitores de 120 Hz e diferentes limites de taxa de quadros. Durante a experiência, o desempenho se mostrou bastante estável, contribuindo para que os combates rápidos e cheios de efeitos visuais fossem aproveitados sem problemas.

JOGABILIDADE: Combate Cadenciado, Mecânicas Clássicas e Desafios Estratégicos
A jogabilidade mistura com maestria o DNA tradicional da franquia com elementos modernos de combate metódico:

Layout Funcional e Intuitivo

Musashi conta com ataques leves e pesados, esquivas, bloqueios e parries com a espada, além de armas Oni e o clássico arco mapeados em atalhos rápidos. O esquema de controles é bastante intuitivo e permite dominar rapidamente os fundamentos. Conforme novas habilidades e armas são desbloqueadas, porém, o sistema ganha camadas adicionais de profundidade.

Gestão de Vigor e Issen

O sistema exige atenção à barra de exaustão e vigor dos oponentes, abrindo brechas para golpes fatais e o poderoso Break Issen. Tanto Musashi quanto os inimigos possuem uma barra de vigor que pode ser reduzida durante os confrontos. Quando ela se esgota, o adversário fica vulnerável a ataques críticos, criando oportunidades para executar golpes devastadores.

O tradicional Issen também retorna como uma das mecânicas mais satisfatórias da franquia. Ao acertar o timing de uma aparada, esquiva ou contra-ataque, Musashi pode desferir ataques extremamente poderosos. Em batalhas contra grupos, dominar essa mecânica permite eliminar inimigos rapidamente e manter o combate em constante movimento. Também é possível direcionar inimigos após aparar seus golpes, arremessando-os contra outros adversários para atordoar vários oponentes de uma só vez. São pequenos detalhes como esse que tornam as batalhas particularmente prazerosas.

Absorção de Almas e Progressão

As almas recolhidas cumprem papéis vitais: as amarelas recuperam vida, as azuis recarregam as armas Oni e as vermelhas funcionam como moeda para evoluir habilidades em uma vasta árvore de habilidades.


As almas vermelhas também podem ser utilizadas para aprimorar equipamentos e desbloquear novas habilidades, enquanto determinados upgrades exigem itens específicos encontrados durante a aventura. A progressão é simples, mas eficiente, dividindo as melhorias de Musashi entre diferentes categorias, incluindo equipamentos, técnicas de espada, arco, stealth e habilidades especiais relacionadas aos poderes Oni.

Batalhas de Chefes Cinematográficas

Enquanto os inimigos comuns sofrem com padrões um pouco previsíveis, os confrontos contra chefes elevam o desafio ao máximo, destacando mecânicas espetaculares como travas de espadas e embates de lâminas.

É justamente contra os chefes que o sistema de combate mostra seu verdadeiro potencial. Os confrontos possuem padrões de ataque próprios e exigem que o jogador compreenda quando aparar, esquivar e utilizar suas diferentes habilidades. As Travas de Espadas e os Embates de Lâminas também estão entre os momentos mais cinematográficos da aventura, transformando algumas batalhas em verdadeiros espetáculos de samurais. Apesar disso, existe uma certa limitação na liberdade do jogador. Alguns chefes são claramente construídos ao redor de mecânicas específicas, exigindo determinadas respostas para seus ataques. Isso torna cada confronto único, mas também pode fazer com que o combate pareça um pouco engessado em determinadas situações.

Exploração e Estrutura

A exploração segue uma estrutura majoritariamente linear. Kyoto funciona como uma espécie de bairro aberto, que se expande conforme novas regiões são purificadas durante a campanha. É possível retornar a áreas anteriores, encontrar itens, realizar pedidos de NPCs e participar dos chamados Contos Curiosos. A Visão de Oni também auxilia na descoberta de elementos escondidos no cenário. Entretanto, essa parte da experiência é consideravelmente mais simples do que os cenários lineares da campanha principal. As missões secundárias podem se tornar repetitivas, enquanto alguns Contos Curiosos reciclam inimigos e situações já vistas anteriormente. Por outro lado, os mapas principais são mais interessantes, apresentando ambientes maiores e pequenas oportunidades de exploração e backtracking, ainda que a estrutura permaneça bastante linear.

Pontos Positivos:

  • Protagonista Carismático: Miyamoto Musashi é uma escolha formidável, trazendo uma abordagem de anti-herói revigorante para a série.
  • Combate Prazeroso e Profundo: A fusão de aparagens, manopla, armas Oni e contra-ataques precisos torna as lutas altamente satisfatórias.
  • Apresentação Audiovisual Primorosa: Gráficos deslumbrantes impulsionados pela RE Engine e opções completas de localização em português do Brasil.
  • Boss Fights Marcantes: Os confrontos contra os chefes são cinematográficos, desafiadores e memoráveis.
  • Sistema de Almas e Progressão: A variedade de funções das almas e a árvore de habilidades oferecem uma progressão simples, mas recompensadora.
  • Armas Oni: As diferentes armas adicionam variedade ao combate e permitem explorar estratégias distintas.
  • Excelente Ambientação: A representação sombria do período Edo combina muito bem com o horror sobrenatural característico da franquia.
  • Boa Duração: A campanha de aproximadamente 20 a 25 horas evita que a fórmula se desgaste excessivamente.

Pontos Negativos:

  • Exploração e Missões Secundárias Rasas: A área de Quioto e suas missões secundárias podem parecer desinteressantes e repetitivas em comparação aos cenários lineares.
  • Inimigos Comuns Pouco Agressivos: A inteligência artificial dos oponentes menores por vezes espera demais a sua vez de atacar, reduzindo a sensação de perigo constante.
  • Linearidade Excessiva: A estrutura de exploração é bastante restrita, deixando pouco espaço para descobertas orgânicas fora da rota principal.
  • Chefes com Mecânicas Restritivas: Alguns confrontos exigem respostas muito específicas, diminuindo a liberdade para experimentar diferentes estratégias.
  • Dificuldade Irregular: Apesar de os chefes oferecerem desafios interessantes, os combates contra inimigos comuns raramente chegam a ser realmente difíceis.
RESUMO
Onimusha: Way of the Sword é um retorno triunfante da franquia, modernizando sua fórmula sem perder a essência dos clássicos. O combate é excelente, a ambientação é marcante e os confrontos contra chefes são memoráveis. Apesar de limitações na exploração, missões secundárias e variedade de inimigos, o jogo entrega uma experiência sólida e digna do legado da série.

NOTA: 9/10

Onimusha: Way of the Sword está disponível para PS5, Xbox X|S, Nintendo Switch 2 e PC (Steam e Epic Games).

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