[REVIEW] ONIMUSHA: WAY OF THE SWORD É MAIS UM ACERTO DA CAPCOM
A narrativa brilha não por reinventar a roda, mas pela excelente construção de seu protagonista: um anti-herói carismático e realista que conduz um enredo dinâmico e cinematográfico. Embora a estrutura urbana em Quioto traga missões secundárias por vezes repetitivas e lineares, a trama principal engaja do início ao fim com reviravoltas marcantes, mantendo o ritmo ideal para uma campanha de cerca de 20 a 25 horas. Musashi também se destaca justamente por fugir do arquétipo tradicional do samurai honrado. Inicialmente, ele está muito mais interessado em sua própria força e em seguir o chamado “caminho da espada” do que em salvar qualquer pessoa. Essa postura cria uma evolução interessante ao longo da campanha, conforme sua convivência com os demais personagens e os acontecimentos da jornada fazem com que ele passe a enxergar sua responsabilidade de outra maneira. Os personagens secundários também contribuem para esse desenvolvimento, com pequenas histórias e conflitos que complementam a aventura principal e ajudam a criar uma sensação semelhante à de acompanhar um bom anime de ação e fantasia.
O design sonoro é um verdadeiro show à parte. A trilha sonora tradicional eleva a imersão a patamares altíssimos, enquanto a flexibilidade de customização de áudio oferece dublagem de altíssimo nível em japonês e em PT-BR. No PS5, também existem diferentes opções para priorizar qualidade ou desempenho, incluindo suporte para monitores de 120 Hz e diferentes limites de taxa de quadros. Durante a experiência, o desempenho se mostrou bastante estável, contribuindo para que os combates rápidos e cheios de efeitos visuais fossem aproveitados sem problemas.
O tradicional Issen também retorna como uma das mecânicas mais satisfatórias da franquia. Ao acertar o timing de uma aparada, esquiva ou contra-ataque, Musashi pode desferir ataques extremamente poderosos. Em batalhas contra grupos, dominar essa mecânica permite eliminar inimigos rapidamente e manter o combate em constante movimento. Também é possível direcionar inimigos após aparar seus golpes, arremessando-os contra outros adversários para atordoar vários oponentes de uma só vez. São pequenos detalhes como esse que tornam as batalhas particularmente prazerosas.
É justamente contra os chefes que o sistema de combate mostra seu verdadeiro potencial. Os confrontos possuem padrões de ataque próprios e exigem que o jogador compreenda quando aparar, esquivar e utilizar suas diferentes habilidades. As Travas de Espadas e os Embates de Lâminas também estão entre os momentos mais cinematográficos da aventura, transformando algumas batalhas em verdadeiros espetáculos de samurais. Apesar disso, existe uma certa limitação na liberdade do jogador. Alguns chefes são claramente construídos ao redor de mecânicas específicas, exigindo determinadas respostas para seus ataques. Isso torna cada confronto único, mas também pode fazer com que o combate pareça um pouco engessado em determinadas situações.
Pontos Positivos:
- Protagonista Carismático: Miyamoto Musashi é uma escolha formidável, trazendo uma abordagem de anti-herói revigorante para a série.
- Combate Prazeroso e Profundo: A fusão de aparagens, manopla, armas Oni e contra-ataques precisos torna as lutas altamente satisfatórias.
- Apresentação Audiovisual Primorosa: Gráficos deslumbrantes impulsionados pela RE Engine e opções completas de localização em português do Brasil.
- Boss Fights Marcantes: Os confrontos contra os chefes são cinematográficos, desafiadores e memoráveis.
- Sistema de Almas e Progressão: A variedade de funções das almas e a árvore de habilidades oferecem uma progressão simples, mas recompensadora.
- Armas Oni: As diferentes armas adicionam variedade ao combate e permitem explorar estratégias distintas.
- Excelente Ambientação: A representação sombria do período Edo combina muito bem com o horror sobrenatural característico da franquia.
- Boa Duração: A campanha de aproximadamente 20 a 25 horas evita que a fórmula se desgaste excessivamente.
Pontos Negativos:
- Exploração e Missões Secundárias Rasas: A área de Quioto e suas missões secundárias podem parecer desinteressantes e repetitivas em comparação aos cenários lineares.
- Inimigos Comuns Pouco Agressivos: A inteligência artificial dos oponentes menores por vezes espera demais a sua vez de atacar, reduzindo a sensação de perigo constante.
- Linearidade Excessiva: A estrutura de exploração é bastante restrita, deixando pouco espaço para descobertas orgânicas fora da rota principal.
- Chefes com Mecânicas Restritivas: Alguns confrontos exigem respostas muito específicas, diminuindo a liberdade para experimentar diferentes estratégias.
- Dificuldade Irregular: Apesar de os chefes oferecerem desafios interessantes, os combates contra inimigos comuns raramente chegam a ser realmente difíceis.
Onimusha: Way of the Sword está disponível para PS5, Xbox X|S, Nintendo Switch 2 e PC (Steam e Epic Games).
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