[REVIEW] ATELIER RESLERIANA TROUXE CONSIGO PROBLEMAS DE QUANDO ERA UM GACHA


Após Atelier Yumia mostrar uma inovação na franquia (LEIA MINHA REVIEW AQUI), Atelier Resleriana se torna ainda mais essencial. Esse jogo, que nasceu como um experimento no mobile e ganhou corpo como uma experiência completa para PC e consoles, representa outro passo importante da Gust na evolução da marca. Entre a nostalgia de reencontrar Wanderers de outros mundos e a introdução de novos protagonistas como Rias e Slade, Resleriana tenta equilibrar o legado de 25 anos com ideias ambiciosas de gestão e combate

HISTÓRIA: Alquimia, Névoa Vermelha e Wanderers
A trama se passa 12 anos após uma misteriosa névoa vermelha destruir a cidade natal dos protagonistas. Acompanhamos Rias, uma aventureira energética sem conhecimento inicial de alquimia, e Slade, um jovem envolto em mistério que possui o Geist Core, um artefato que permite acessar dimensões alternativas. Juntos, eles redescobrem uma forma esquecida de alquimia para reconstruir sua cidade. Um ponto central da narrativa são os Wanderers: protagonistas de jogos anteriores (como Ryza, Totori e até Raze de Mana Khemia 2) que foram transportados para este mundo. Embora a premissa seja instigante, o jogo às vezes falha em aprofundar as implicações emocionais de personagens sequestrados de outros mundos, usando-os mais como ferramentas de fanservice.


GRÁFICO E SOM: Nostalgia em Alta Definição
O jogo apresenta modelos de personagens belíssimos e cenários vastos, herdando o polimento visual das trilogias Secret e Mysterious. As cenas de diálogo estilo visual novel são vivas e bem animadas. A trilha sonora é um dos pontos altos, misturando novas composições com faixas clássicas da franquia para evocar nostalgia. A dublagem japonesa é excelente, com o retorno das vozes originais de personagens lendários, embora a ausência de dublagem em inglês possa fazer falta para alguns.

JOGABILIDADE: Combate Tático e Gestão de Loja
  • Combate: Utiliza um sistema de turnos baseado em Atelier Sophie 2, com um esquadrão de 6 pessoas (3 na linha de frente e 3 na reserva). A estratégia envolve manipular a linha do tempo para capturar bônus aleatórios e usar o Unite Burst para combos devastadores.

  • Síntese e Loja: A alquimia foca em combinar cores e atributos de materiais. A grande novidade é o sistema de loja: você fabrica itens para vender em sua própria loja, organizando as prateleiras para ganhar bônus de combinação e recrutando fadas para ajudar no atendimento. É uma camada de simulação que traz um frescor necessário à rotina de exploração.

  • Exploração: O mundo é dividido em caminhos dimensionais e regiões ricas em materiais, onde as ferramentas de coleta podem ser aprimoradas para obter itens raros, mantendo o fluxo clássico da série.


PERSONAGENS: Dupla Protagonista e Participações Especiais
Rias e Slade formam a primeira dupla de protagonistas com um líder masculino desde Escha & Logy, oferecendo dinâmicas variadas dependendo de quem você escolhe para liderar. O ponto negativo reside na limitação do elenco: apesar de haver mais de 20 Wanderers icônicos na história, muitos não são jogáveis nem dublados, aparecendo apenas em missões secundárias ou como ajudantes na coleta de itens, o que pode decepcionar quem esperava um Dream Team totalmente funcional.


Pontos Positivos:
  • Sistema de Loja Promissor: A mecânica de gerenciar o comércio local adiciona um objetivo satisfatório à criação de itens.
  • Homenagem à Franquia: Ver personagens de jogos obscuros (como Mana Khemia) interagindo com os novos é um deleite para veteranos.
  • Combate Estratégico: A manipulação da ordem de turnos e os combos entre linhas de frente e reserva mantêm as batalhas interessantes.

Pontos Negativos:

  • Herança de Gacha: Algumas mecânicas de mundo e explicações de lore parecem simplificadas demais ou dependentes de um contexto que existia no jogo móvel original.
  • Elenco Jogável Limitado: A restrição de apenas 6 personagens ativos no combate desperdiça o potencial da vasta lista de alquimistas lendários presentes na história.
  • Falta de Dificuldade: A maioria das batalhas comuns pode ser vencida no modo automático, com picos de desafio apenas em chefes de final de jogo.
RESUMO:
Atelier Resleriana: The Red Alchemist & the White Guardian é uma carta de amor à série que consegue transformar suas origens móveis em uma experiência de console sólida e divertida. Embora carregue algumas cicatrizes de sua fase gacha e limite o uso de seu elenco estelar, o jogo brilha ao introduzir sistemas de simulação de loja e ao entregar uma narrativa emocionante com protagonistas carismáticos. É uma excelente porta de entrada para novatos e um reencontro nostálgico para veteranos que desejam ver seus alquimistas favoritos reunidos mais uma vez.

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